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Jorge IV do Reino Unido: Informações, fotos e vídeos


Jorge IV (Londres, 12 de agosto de 1762 – Windsor, 26 de junho de 1830) foi o Rei do Reino Unido e Hanôver de 29 de janeiro de 1820 até sua morte. De 1811 até sua ascensão foi Príncipe Regente durante a doença mental de seu pai Jorge III.

Jorge teve uma vida extravagante que contribuiu para a moda durante o Período da Regência, sendo o patrono de muitas formas de prazer, estilo e gosto. Tinha uma relação ruim com o pai, acumulou grandes dívidas e teve várias amantes, com a principal e mais duradoura sendo Maria Fitzherbert. Ele foi forçado a se casar em 1795 com sua prima Carolina de Brunsvique; os dois não gostavam um do outro e se separaram pouco depois do nascimento de sua filha Carlota de Gales no ano seguinte.

Robert Jenkinson, 2.º Conde de Liverpool, controlou o governo como primeiro-ministro durante a maior parte de sua regência e reinado. Os governos de Jorge, mesmo recebendo pouco apoio do rei, presidiram a vitória nas Guerras Napoleônicas, negociaram um acordo de paz e tentaram lidar com o mal-estar econômico e social que se seguiu. Ele teve de aceitar George Canning como primeiro-ministro, além de desistir de sua oposição à emancipação católica.

Seu charme e cultura lhe valeram o título de “o primeiro cavalheiro da Inglaterra”, porém suas relações com Jorge III e Carolina, e seu jeito devasso, lhe renderam o desprezo do povo e diminuiu o prestígio da monarquia. Contribuintes ficaram furiosos com seus gastos desnecessários em tempos de guerra. Jorge não proporcionou uma liderança nacional em uma época de crise, também não atuando como um modelo para seu povo. Ministros avaliavam seu comportamento como egoísta, não confiável e irresponsável.

Início de vida

Jorge Augusto Frederico nasceu no Palácio de St. James, Londres, em 12 de agosto de 1762, o primeiro filho do rei Jorge III da Grã-Bretanha e da rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz. Como filho mais velho do soberano, ele automaticamente recebeu os títulos de Duque da Cornualha e Duque de Rothesay; alguns dias depois foi criado Príncipe de Gales e Conde de Chester. Foi batizado em 18 de setembro por Thomas Secker, o Arcebispo da Cantuária. Seus padrinhos foram o duque Adolfo Frederico IV de Mecklemburgo-Strelitz (seu tio materno, representado por William Cavendish, 4.º Duque de Devonshire), Guilherme, Duque de Cumberland (seu tio-bisavô paterno) e Augusta de Saxe-Gota (sua avó paterna). Jorge era um estudante talentoso, rapidamente aprendendo a falar francês, alemão e italiano.

Jorge recebeu aos 18 anos de idade seu próprio estabelecimento e, em contraste com seu pai prosaico e livre de escândalos, jogou-se com entusiasmo em uma vida de dissipação e grande extravagância que envolvia bebedeiras e várias amantes e escapadas. Bêbado ou sóbrio, ele era um inteligente conversador, também mostrando bom gosto, porém caro, ao decorar seu palácio. O príncipe completou 21 anos em 1783 e recebeu uma pensão de sessenta mil libras esterlinas do parlamento e uma renda anual de cinquenta mil libras de seu pai. Era pouco para suas necessidades — apenas seus estábulos custavam 31 mil libras anualmente. Jorge então estabeleceu sua residência na Casa Carlton, onde teve uma vida libertina. Cresceu a animosidade entre o Príncipe de Gales e o rei, que desejava um comportamento mais frugal de seu herdeiro aparente. Jorge III, um conservador político, também foi alienado pelo apoio do príncipe a políticos mais radicais como Charles James Fox.

Pouco depois de completar 21 anos, Jorge se apaixonou por Maria Fitzherbert. Ela era uma plebeia, seis anos mais velha, duas vezes divorciada e católica. Apesar de ser completamente inadequada, o príncipe estava determinado em se casar com ela. Isso ia de encontro ao Decreto de Estabelecimento de 1701, que tirava da linha de sucessão qualquer um que se casasse com um católico, e o Decreto de Casamentos Reais de 1772, que proibia casamentos sem o consentimento do rei, algo que nunca seria dado.

Mesmo assim, o casal se casou em 15 de dezembro de 1785 na casa de Fitzherbert em Mayfair. Legalmente a união era inválida, já que o rei nunca deu seu consentimento (algo que nunca mesmo foi pedido). Entretanto, Fitzherbert acreditava que era a verdadeira e canônica esposa do príncipe, afirmando que a lei da igreja era superior às leis do estado. Por motivos políticos, a união precisava ser mantida em segredo e ela prometeu nunca revelá-la.

Jorge ficou muito endividado por causa de seu estilo de vida exorbitante. Seu pai recusou-se a ajudá-lo, forçando-o a deixar a Casa Carlton e viver na casa de Fitzherbert. Seus aliados políticos propuseram em 1787 aliviar suas dívidas com uma bolsa parlamentar. Suspeitava-se de sua relação com Fitzherbert e a revelação da união ilegal certamente causaria escândalos pela nação e condenaria qualquer proposta parlamentar de ajudá-lo. Agindo em nome do príncipe, Charles James Fox, o líder whig, declarou que a história era uma calúnia. Fitzherbert não gostou com a negação pública do casamento em termos tão veementes e contemplou cortar suas relações com Jorge. Ele a apaziguou pedindo que outro whig, Richard Brinsley Sheridan, refizesse a declaração em palavras mais comedidas. Enquanto isso, o parlamento deu ao Príncipe de Gales 161 mil libras para pagar suas dívidas e sessenta mil para melhoramentos a Casa Carlton.

Crise da regência de 1788

Hoje acredita-se que Jorge III sofria da doença genética porfiria. Sua saúde mental se deteriorou no verão de 1788, mas mesmo assim ele conseguiu realizar algumas de suas funções e declarar que o parlamento estaria suspenso entre 25 de setembro e 20 de novembro. Durante esse período, o rei ficou demente, ameaçando sua própria vida, e quando o parlamento voltou a se reunir em novembro ele não conseguia fazer o habitual discurso do trono na cerimônia de abertura. O parlamento encontrou-se em uma posição insustentável; de acordo com a lei eles não poderiam realizar seus trabalhos sem o discurso do monarca na abertura.

O parlamento começou a debater uma regência, apesar de discutivelmente impedido de fazê-lo. Na Câmara dos Comuns, Fox declarou sua opinião que o Príncipe de Gales automaticamente tinha o direito de exercer a soberania durante a incapacidade do rei. A opinião contrária vinha de William Pitt, o Novo, primeiro-ministro, que discutia que, na falta de um estatuto dizendo o contrário, o direito de escolher um regente cabia apenas ao parlamento. Ele até afirmou que, sem o consentimento do parlamento, “o Príncipe de Gales não tem mais direito … de assumir o governo que qualquer outro súdito indivíduo do país”. Apesar de discordarem sobre o princípio subjacente da regência, Pitt concordava com Fox que Jorge seria a escolha mais conveniente para o regente.

Mesmo ofendido pela ousadia de Pitt, o Príncipe de Gales não deu seu total apoio a abordagem de Fox. Seu irmão, o príncipe Frederico, Duque de Iorque e Albany, declarou que Jorge não tentaria exercer nenhum poder sem conseguir antes o consentimento parlamentar. Depois da aprovação de resoluções preliminares, Pitt delineou um plano formal para a regência, sugerindo que os poderes do Príncipe de Gales fossem muito limitados. Entre outras coisas, Jorge não poderia vender nenhuma das propriedades do rei ou criar pariatos para ninguém exceto seus próprios irmãos. O príncipe denunciou o esquema do primeiro-ministro, declarando que era um “projeto para produzir fraqueza, desordem e insegurança em cada área dos assuntos administrativos”. Pelos interesses da nação, as duas facções concordaram com um acordo.

Um grande impedimento técnico para qualquer Projeto de Lei da Regência era a falta do discurso do trono, que era necessário antes do parlamento poder proceder com quaisquer debates ou votações. O discurso era normalmente feito pelo rei, porém também poderia ser feito por representantes reais conhecidos como Lordes Comissários; porém nenhum documento poderia dar poder aos Lordes Comissários para agirem sem a afixação do Grande Selo do Reino. O selo não poderia ser legalmente afixado sem autorização prévia do soberano. Pitt e seus ministros ignoraram o último requisito e instruíram o Lorde Chanceler a afixar o Grande Selo sem o consentimento do rei, já que o ato de afixar o selo dava por si só força legal ao projeto de lei. Essa ficção jurídica foi denunciada por Edmund Burke como uma “falsidade gritante”, um “absurdo palpável” e até mesmo “falsificação, fraude”. Frederico descreveu o plano como “anticonstitucional e ilegal”. Mesmo assim, outros no parlamento achavam que tal esquema era necessário para manter a efetividade do governo. Consequentemente em 3 de fevereiro de 1789, mais de dois meses depois de voltarem a se reunir, o parlamento foi formalmente aberto por um grupo “ilegal” de Lordes Comissários. O Projeto de Lei da Regência foi apresentado, porém o rei se recuperou antes dele ser aprovado. Jorge III declarou retroativamente que o instrumento autorizando a ação dos Lordes Comissários tinha sido válido.

Fonte e artigo completo: Wikipedia (CC-BY)







 

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